4 EPs: Alexa Melo, mewithoutYou, Shoreline Tales e Papa M

ALEXA MELO

A jovem cantora americana Alexa Melo tem um lado alternativo, um lado sombrio, um pé no eletropop, outro no rock. É uma baita cantora e tem uma sensibilidade muito boa para arranjos. Tudo isso se encontra no EP LOTUS FLOWER, com covers preciosos do Radiohead.

“Lotus Flower” tem um arranjo de violão muito bonito. Ela toma pra si o vocal no refrão e tenta ao máximo conservar o espírito da música original, mesmo redesenhando seu design sonoro.

“Weird Fishes/Arpeggi”, a música original, é mágica. A versão de Alexa é igualmente mágica. Se o arpejo de Greenwood dá uma impressão marítima à canção, Alexa constrói uma soundscape que faz parecer que ela canta de dentro de uma bolha no oceano. O crescendo é espetacular.

“Idioteque” deixa evidente como ela respeita a música original e não perde a mão ao reconstruí-la. Ela explora sua voz para além do que Thom Yorke faz, mas não soa exibicionista. Ela apenas tem um vocal range maior.

Em “Creep”, o “Run” dela é perfeito. Ela sabe o que a música pede, não vai além do que precisa. “All I Need” – mais contida, impossível. “Talk Show Host” ficou parecendo uma daquelas músicas da Lera Lynn na segunda temporada de True Detective – e isso é ótimo. “Nude” – mais uma do In Rainbows. O teclado que perpassa a música dá aquele sentimento de isolamento.

Apesar da cantora se dar bem com o Radiohead e de Lotus Flower ser um dos EPs que mais ouvi este ano, o primeiro álbum solo de Alexa Melo, de 2017, é ótimo também. O cover dela de “Crazy”, do Gnarls Barkley, também é obrigatório. Tem personalidade musical e uma voz poderosa.

mewithoutYou

A banda deixa aquele hardcore de lado e aposta em melodias e levadas de violão em [UNTITLED] E.P. É um lado mais leve da banda explorado em sete faixas mas que, mesmo sem os arroubos sonoros mais viscerais, não se desviam da identidade do mewithoutYou. Todas as faixas são boas, embora pouco surpreendentes. “Existential Dread, Six Hours’ Time”, com seu órgão marcante, é a que melhor se enfia em seus miolos.

Contudo, mesmo mais leves e com faixas acessíveis como “Winter Solstice” e “Kristy W/ The Sparkling Teeth”, o mewithoutYou se mantém como uma banda única e bem alternativa no rock americano.

PAPA M

David Pajo, o Papa M ,deixa o rock barulhento de lado e se concentra em um formato acústico em A BROKEN MOON RISES. Como já era de se esperar, nada de folk bonitinho. “The Upright Path” é um tanto ameaçadora. “Walt’s” é melancólica e lembra algo que David Gilmour faria com um violão e um ou dois pedais à disposição.

“A Lighthouse Reverie”, “Shimmers” e a grande “Spiegel im Spiegel” são meditações. Se sua mente está atribulada e procura uma música que não seja ambiente ou ASMR para ter um conforto, A Broken Moon Rises pode ser uma boa escolha. Dê play e respire.

SHORELINE TALES

Zeh Antunes, que respondia pelo baixo no Electric Goat Combo de 2009 a 2016, lançou SEMOTO, primeiro EP de seu projeto musical solo, Shoreline Tales. Radicado em Portugal desde 2017, foi na península Ibérica que o músico brasileiro chegou ao fim dos 18 meses de produção de cinco faixas instrumentais e que ele chama de post-rock. 

Contudo, a música feita por ele está longe da reverberação gigantesca de um Godspeed You! Black Emperor ou daquela qualidade estratosférica do Mogwai ou Explosions In The Sky. Antunes é mais eclético e não deixa as faixas terem aquele clima pesado ou sisudo que é tão comum nas bandas do estilo. Assim, se encararmos Semoto como pós-rock – e pode haver divergências aí entre entendidos -, Shoreline Tales dá uma temperada muito especial ao gênero.

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