Carne Doce, Death Cab For Cutie, Mark Lanegan & Duke Garwood

CARNE DOCE

TÔNUS, terceiro álbum dos goianos do Carne Doce, é a maturidade em desenvolvimento. Pouca coisa lembra o som que faziam no primeiro, Carne Doce, que era mais psicodélico e barulhentinho. Carne Doce quase não precisa de histrionismo. Ele dá muito certo apostando em guitarras mais suaves, baixo bem legal e bateria que fica ali, acompanhando tudo de forma bem controlada, mas acanhada.

A sensualidade da banda, presente nos versos, nas fotos e ainda mais na forma expressiva como Salma Jô se interpreta as canções ao vivo, chega ao ponto em que se solidifica. Continua sendo um dos diferenciais da banda no rock e na MPB, mas já é regra, não mais exceção. Ouvir e conferir um show do Carne Doce já é sinônimo dessa sensualidade que vem pela forma como a banda toca, como Salma se movimenta e passa pelo próprio nome da banda, que evidencia um paladar muito específico.

O verbal é importante também. Em “Comida Amarga”, ela canta: “Já não sou mais gostosa / Você goza triste em mim”. E aí temos também a sensacional “Amor Distrai (Durin)” que fala de sexo sem rodeios, sem escândalo. A faixa-título consegue ser (além de oitentista) ainda mais visual ao descrever um corpo bonito. É claro que esse não é o único tema de Tônus, mas acho que vale a pena ressaltar esses temas, porque, neste disco, parece que Salma, a principal letrista do grupo, encara o que é e o que pode deixar de ser, mas que gosta de ser.

Assim como todo o resto, a guitarra de Macloys continua bem criativa e melódica, mais delicada do que nos álbuns anteriores. Faz de Tônus um álbum mais contido, de certo modo, mas não menor.

DEATH CAB FOR CUTIE

O novo disco do Death Cab For Cutie, o THANK YOU FOR TODAY, mantém a banda no mesmo patamar de Kintsugi, o anterior. É aquela mesma vibe de musica bonita, fofa e que tenta ser emocional. E chega a ser mesmo, em alguns momentos. A atmosfera às vezes é meio fria, mas nada que congele seu envolvimento com a banda. 

É um disco OK e acredito que muito disso se deve à sua duração relativamente curta. Com 38 minutos, não deixa muito espaço para enrolação. Não se estende demais, podendo cansar o ouvinte, visto que a surpresa ou a variação rítmica, não é um dos méritos de Thank You For Today.

Sendo assim, é um bom álbum. Nada que dê para apostar que entre em lista de melhores do ano de sites e revistas, mas quem liga? Death Cab For Cutie quer seu coração. Se a música o tocou, é isso que importa.

MARK LANEGAN & DUKE GARWOOD

Eu adoro Mark Lanegan. Ultimamente, praticamente tudo que tem lançado tem me agradado bastante. WITH ANIMALS, com o amigo Duke Garwood, é um projeto que exige que o ouvinte entre na proposta dos dois artistas. É um bom disco de música de fundo, um tanto meditativo até, sem crescendos e sem apelar para emoções exaltadas. Letras sombrias e atmosfera noturna do início ao fim, cheio de sons que evocam o lado selvagem escondido do homem e da natureza.

Lanegan está bem. Garwood está bem. As composições são bem produzidas e pensadas para poucos músicos a executarem ao vivo. Não é um disco de rock ou com uma vibe mais pungente, como seus últimos trabalhos. São canções mais minimalistas que seguem uma coerência sonora e objetiva do início ao fim.

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