David Bowie, Steven Wilson e Opeth ao vivo

DAVID BOWIE | ⭐⭐⭐⭐⭐😍

GLASTONBURY 2000 é o show do David Bowie no prestigioso festival inglês. Demorou só 18 anos para ser lançado, mas que bom que chegou até nós. É um disco duplo com 22 faixas e que passa a limpo a carreira de Bowie. Você coloca para tocar a primeira faixa e não tem a menor vontade de parar de dançar, cantar e sentir o seu pulso até que a última nota termine.

Grandes clássicos do cantor estão nesse disco, como “Heroes”, “Changes”, “Rebel Rebel”, “Ashes to Ashes”, “Starman”, “Station to Station” entre outras. Um repertório tão bem montado e uma banda tão boa que mesmo que você não tenha familiaridade com metade do setlist será possível entrar na vibe. É praticamente um The Best Of com a energia de quem foi gigante na arte, no palco, na discografia, na vida e até na morte.

Não consigo escolher melhores momentos. “Wild Is The Wind” inicia o show com uma categoria e elegância raras. “Life On Mars” é de arrancar o coração do peito. A performance vocal de Bowie é incrível. Seu inconfundível timbre de voz dá vazão a um vibrato poderoso e consciente que caso alguém não tenha reparado nas gravações de estúdio, esse show em Glastonbury faz questão de destacar. Os sete minutos de “Stay”, “Absolute Beginners” e “Let’s Dance” são um deleite, não uma enrolação. Quem sabe aproveitar o momentum ao vivo sabe como esticar as músicas sem parecer exagerado.E até as faixas da era mais eletrônica e drum’n’bass de Bowie ganham aquele boost rock’n’roll. Sem suma: um ao vivaço!

Bônus: tem “Under Pressure”, música composta por Bowie e pelo Queen. Neste momento em que a nostalgia pelo Queen voltou impulsionada pelo filme Bohemian Rhapsody, a faixa no show do Glastonbury em 2000 soa incrivelmente sentimental logo que o baixo toca as primeiras notas características da canção.

Em 2000, David Bowie foi headliner da noite de domingo no Glastonbury e fez uma noite histórica, tocando um repertório considerado dos melhores da história do festival. O show nunca antes havia sido lançado na íntegra, nem em áudio e nem em vídeo. Glastonbury 2000 já chega histórico em CD, vinil, plataformas digitais e com um DVD com o show completo.

STEVEN WILSON | ⭐⭐⭐⭐⭐

Steven Wilson é sem dúvida um dos artistas que mais tenho tido satisfação em acompanhar. Gosto de todos os seus álbuns solos a ponto de não conseguir escolher um preferido e compareci a todos os shows de suas turnês, podendo testemunhar como ele evoluiu como performer no palco, a cada turnê incrementando mais o espetáculo ao vivo sem perder a intimidade com o público, sem ser brega e sem jogar confete pra galera (tudo o que usa ao vivo, do telão às projeções holográficas, têm um sentido para estar ali).

HOME INVASION: LIVE AT THE ROYAL ALBERT HALL é um ao vivo de sua mais recente turnê do álbum To The Bone (2017) gravado ao fim de uma residência de três dias no prestigioso teatro londrino. Toca o disco novo quase na íntegra e coloca diversas pérolas de outros álbuns, com destaque para a dobradinha perfeita “Home Invasion/Regret #9” e a longa “Ancestral”. Além disso, brinda os fãs recuperando algumas músicas do Porcupine Tree, como “The Creator Has a Mastertape” (que riffão foda, amigos), a balada “Lazarus”, “Even Less” (apenas Steven e sua guitarra) e a maravilhosa “Arriving Somewhere But Not Here”, entre outras.

Esse mesmo show está disponível não apenas em áudio, mas em vídeo também, com três canções a mais que não foram gravadas no terceiro show do Royal Albert Hall mas que vale a pena conferir também. Além de uma banda afiadíssima (com participação da cantora israelense Ninet Tayeb), a edição do material ficou muito boa, não repetindo a mesma e velha batida edição de shows ao vivo.

Home Invasion: Live At The Royal Albert Hall é para fãs, sem dúvida, mas atesta como esse artista do prog rock (e agora do prog pop também?) entrega o que promete ao vivo, conduzindo 3 horas de show cheio de dinâmica.

OPETH |⭐⭐⭐⭐

O Opeth é minha banda de death metal que virou prog metal preferida, mas ao vivo eles ainda são os mesmos suecos que mostram riffs incríveis, acordes soturnos, solos lindos e vocais guturais de antes. GARDEN OF THE TITANS é o show da última turnê, para o disco mais recente Sorceress (2016) e foi gravado em Red Rocks, nos Estados Unidos.

Do disco novo, apenas três músicas (incluindo o rock acelerado de “Era”). O restante é um breve passeio pela discografia, incluindo os death metals fodões “Ghost of Perdition”, “Heir Apparent” e “Demon of the Fall”, assim como a balada “In My Time of Need” e progressiva “The Devil’s Orchid”. Para fechar o show, e o disco, escolheram “Deliverance”, música que é death, prog e melodiosa tudo ao mesmo tempo e uma das preferidas do público.

Embora tenha apenas 10 músicas no repertório de Red Rocks, Garden of The Titans tem 1h30 de som. Três músicas passam dos 10 minutos e apenas duas ficam abaixo dos seis minutos de duração.

Talvez ano que vem já tenhamos um novo disco do Opeth de estúdio. Mikael Åkerfeldt, o compositor do grupo, já tem 12 novas músicas escritas. Fredrik Åkesson, o guitarrista, já tem vários solos prontos. Questão de tempo.

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