Diário Life Is Strange 2 – o 1º episódio

Roads é o nome do primeiro episódio de LIFE IS STRANGE 2, que terminei depois de três sessões do game. Podia ter terminado em uma sentada, mas largar o joystick ajuda a deixar o sentimento do game durar um pouco mais.

Roads precisa apresentar o universo desse novo game. São 3 anos após os eventos do Life is Strange original. Estamos então na Seattle de 2016, às vésperas do Halloween. O protagonista é Sean Diaz, que perdeu a mãe e vive com o irmão de 9 anos Daniel e com o pai, fã de carrões e que ganha a vida consertando carros. Mas preste atenção: é outubro de 2016, Donald Trump está para ser eleito presidente nos Estados Unidos e seu racismo e xenofobia inspiram parte da população americana a colocar para fora esses mesmos sentimentos. Essa é uma das primeiras surpresas que tive jogando. Roads já deixa claro que, em sua construção de mundo e contexto, trará esse dilema político.

Logo que começa, Life is Strange 2 coloca Sean, um adolescente de 16 anos, para se preparar para uma festa de Halloween. Vão estar lá a melhor amiga, Layla, sua crush, Jenn, e uma galera da escola. Vai ter bebida e maconha. Nossa primeira missão é preparar uma mochila para essa festa. Eis que entra em cena uma confusão entre seu irmãozinho Daniel, um vizinho meio alt right, um policial e seu pai. O fantástico e o trágico se misturam, mas Sean e Daniel se veem sem saída e precisam fugir de casa. Assim começa a jornada.

Demorei uma hora e meia para terminar essa primeira parte de Roads, que se limita à casa de Sean e Daniel. Por meio de diálogos, fotos, documentos e objetos, conhecemos o suficiente dessa família para conseguirmos nos afeiçoar a eles. É por isso que o resultado da tragédia, que ocorre tão cedo no game, nos fazem sentir como se os personagens fossem reais.

É o momento em que percebi que a Dontnod repete aquela mesma verve do Life is Strange original. Personagens críveis – Sean é um adolescente como qualquer outro que você conheça -, bons diálogos, um contexto político e social muito presente e um storytelling bem definido para você seguir e ajudar a moldar sua relação com outros personagens por meio das escolhas que precisa fazer.

Após a fuga de Seattle, os dois meninos começam a percorrer um longo caminho para o Sul, passando por florestas e pelo litoral do Oregon. Encontram até Arcadia Bay. Embora o memorial da cidade esteja lá, a presença dela depende daquela sua derradeira escolha no primeiro jogo. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que Life is Strange 2 se passa no mesmo universo dos outros jogos da série. Max, então, deve estar por aí. Se vai aparecer ou se precisa, é outra história.

NOVA ENGINE, NOVAS ESCOLHAS

A Unreal Engine 4 dá mais perspectiva ao jogo, com mais posições de câmera e melhora consideravelmente as animações. O jogo é mais bonito que o primeiro, com personagens melhor elaborados e cenários maiores e mais profundos. Quando você está dentro da casa de Sean, você observa um mundo vivo lá fora, com pessoas e carros passando e a luz do ambiente cuidadosamente incidindo no ambiente, criando sombras muito melhores.

Há mais opções de interação e, desse modo, com mais chances de você perder algum detalhe ou alguma possibilidade de escolha ao longo da jornada. É importante explorar os ambientes e desconfiar principalmente da ordem de cada interação, já que uma interação pode inviabilizar outra. Há opções de interação com Daniel também que ficam disponíveis por um tempo. Como o garotinho tem sua inteligência artificial, você pode perder a chance de ver no que daria aquela interação se demorar para acontecer.

Decisões de ordem emocional e moral, do tipo que molda o caráter de Sean, já devem ser tomadas logo no primeiro episódio. Pode ser uma decisão aparentemente prosaica [como levar ou não um bong de maconha pra festa] ou com implicações mais sérias [como decidir se vai agredir um racista filho da puta ou se vai apenas sair correndo].

Tanto o primeiro Life is Strange quanto Before The Storm apostavam em situações em que você tinha de escolher dramaticamente entre duas opções que poderiam mudar muito o rumo da história ou do desenvolvimento do personagem. Dessa vez, a Dontnod complicou ainda mais a situação, pois podem aparecer até três opções de escolha em momentos decisivos e, o que foi outra surpresa, uma decisão dramática pode ser seguida por outra segundos depois.

Embora possa ser um capítulo introdutório para conhecer a história e as mecânicas, terminei Roads sentindo que a história avançou bem. Ou, pelo menos, deixando claro que a partir do segundo capítulo de Life is Strange 2 teremos várias pedras narrativas já fora do caminho, abrindo espaço para nos focar na jornada e em como ficará a relação dos dois irmãos.

Continuarei acompanhando o game conforme novos episódios forem sendo liberados pela desenvolvedora. Todas as imagens publicadas são do meu próprio gameplay.

Leia aqui sobre as expectativas do jogo.

É hoje: Life is Strange 2

Hoje começo a jogar LIFE IS STRANGE 2. Eu conheci o primeiro jogo mais de um ano após seu lançamento, mas foram tantas opiniões favoráveis que fui convencido a vivenciar aquele turbulento período da vida de Max e Chloe. E é de fato um jogo incrível, daqueles que despejam tantas ideias e questões dentro de uma narrativa, com personagens tão interessantes, que até bate um certo desconforto em alguns momentos.

Life Is Strange 2 não terá Max e Chloe. Temos uma dupla de irmãos agora como protagonistas. E assim como Max descobria a habilidade de controlar o tempo, um desses irmãos também terá um poder especial. No caso da série Life Is Strange, como já vimos no primeiro game, trata-se de um drama, com temáticas pesadas, e não um jogo de super-herói. Ter poderes ajudou Max a salvar sua amiga, por exemplo, mas não impediu que uma série de outros eventos terríveis ocorressem, bagunçando sua vida de uma forma agoniante.

Em Life Is Strange 2 eu aposto que os poderes com essa ambivalência – podem ajudar e destruir – deva ser mantido. Afinal, a premissa é que os irmãos Sean e Daniel Diaz saem de casa após algum evento traumático que tem a ver com uma habilidade especial e que acaba envolvendo a morte de um policial. Agora as autoridades estão na cola dos dois jovens.

Sean e Diaz fogem de casa, para dentro de bosques e beiras de estradas. Deverão migrar de Seattle até o México, cortando o Oregon, estado em que se passava o Life Is Strange original. Não está claro como os eventos de Arcadia Bay terão alguma influência em Life Is Strange 2. Há rumores de que o game carregará suas escolhas feitas no primeiro LiS para respeitar o contexto escolhido por você no final da jornada. Além disso, LiS 2 se passa três anos após o primeiro. Se as narrativas não estivessem no mesmo universo, a diferença temporal não precisaria ser destacada, não é mesmo?

O primeiro Life Is Strange

IMAGINAÇÃO E BEBEDEIRA

Porém, é certo que não será um jogo independente de seu prólogo, The Awesome Adventures of CAPTAIN SPIRIT. Quem já jogou, precisou fazer algumas escolhas que serão carregadas para dentro de LiS 2. Quando Captain Spirit foi anunciado e liberado gratuitamente durante a E3 2018, ninguém entendeu bem qual era a do jogo e como ele se conectaria ao universo de LiS. O trailer não deixava claro e motivou piadas como: é um simulador de garotinho branco.

Assim que comecei a jogar Captain Spirit reparei que não era só isso. O jovem Chris Eriksen vive com o pai e perdeu a mãe. O pai é um ex-atleta que agora está desempregado durante o inverno do Oregon e bebe para… bem, para passar o tempo, esquecer os problemas e anestesiar a angústia. O design da casa de Chris, assim que a vi, já me indicava que seria um jogo em que problemas econômicos teriam um lugar. A imaginação fértil do garoto seria sua forma de enfrentar esse seu mundo de sofrimento e perda.

O jogo é curto e se passa totalmente dentro da casa e do quintal dos Eriksen, mas coloca uma quantidade de objetos e segredos a serem descobertos bastante grande, já deixando claro como a Dontnod, a desenvolvedora francesa do game, evoluiu de um game a outro. Embora o estilo de jogo continue sendo o mesmo – em terceira pessoa, fazendo escolhas que alteram o futuro e com muitos objetos e personagens para interagir (ou não) -, a engine é a Unreal Engine 4, oferecendo mais possibilidades, melhor física ao game e uma inteligência artificial maior ao personagem Daniel.

The Awesome Adventures of Captain Spirit

A partir desse prólogo/demo, já vislumbro quantas possibilidades não teremos na jornada de Sean e Daniel, e quantas oportunidades vamos perder ao longo do caminho, seja pelas escolhas que fizermos ou por não explorarmos tudo o que há pra fazer. Eu joguei Captain Spirit duas vezes e mesmo assim não consegui fazer tudo o que dava para fazer.

Também joguei Life Is Strange: Before The Storm, o jogo de prelúdio desenvolvido pelo estúdio americano Deck Nine (com aprovação da Dontnod) . Não é tão surpreendente quanto o original, mas fez um bom serviço em contar a história de Chloe e Rachel. A cena do teatro Sonho de Uma Noite de Verão é inacreditavelmente bem conduzida e roteirizada. A trilha sonora, muito importante no primeiro game, ganhou até faixas originais feita por bandas reais, como Daughter, uma novidade que também estará em LiS 2.

Assim como estou lendo a Trilogia do Sprawl e postando textos comentando cada livro (já falei de Neuromancer e de Count Zero), vou comentar sem spoilers cada um dos 5 episódios de Life Is Strange 2 conforme vou jogando. É uma série que mexe com nossos sentimentos, ou pelo menos é isso que espero.

Life Is Strange e Life is Strange: Before The Storm estão disponíveis para Playstation 4, X-Box One, Windows 10, Android e iOS. Captain Spirit e Life Is Strange 2, por enquanto, estão disponíveis apenas para consoles PS4 e X-Box One e Windows.